Construir o futuro<br> no caminho de Abril
Na sexta-feira e no sábado, em dois comícios realizados respectivamente em Guimarães e Lisboa, reafirmou-se que o PCP não desiste de conduzir até ao fim a luta pela demissão do Governo PSD/CDS, questão primeira e essencial para romper com a política de direita e abrir caminho à construção da alternativa patriótica e de esquerda e das soluções políticas capazes de a concretizar.
O PCP é uma força indispensável à construção da alternativa
Nos dois comícios realizados no fim-de-semana no âmbito da campanha nacional do PCP «Derrotar o Governo, Recuperar Salários e Direitos Roubados», insistiu-se com particular ênfase em duas questões centrais, que a propaganda do Governo e do grande capital se esforça por esconder: a política de intensificação da exploração, do empobrecimento e da concentração da riqueza, em qualquer das versões com que se apresente, não é inevitável; e existe uma alternativa capaz de assegurar um Portugal de progresso e justiça social.
Esta alternativa, que pelas suas características e pela natureza dos problemas a que tem que dar resposta o PCP desde cedo designou de «patriótica e de esquerda», pode resumir-se numa fórmula simples, mas plena de conteúdo: libertar Portugal da dependência e da submissão; recuperar para o País o que é do País; devolver aos trabalhadores e ao povo os seus direitos, salários e rendimentos.
Nas suas intervenções (de que publicamos excertos), Jerónimo de Sousa insistiu ainda numa outra ideia, a de que tal política alternativa, para ser concretizada, necessita de um governo também ele patriótico e de esquerda, que «tenha como referências os valores de Abril e o respeito pela Constituição da República». Garantindo que o PCP é uma «força indispensável» à construção de tal alternativa, o dirigente comunista reafirmou a necessidade de proceder ao seu reforço, a todos os níveis.
Elemento decisivo para derrotar o Governo e empreender a construção da alternativa patriótica e de esquerda é igualmente a «intensificação e alargamento da luta, de todas as lutas, pequenas e grandes», reafirmou Jerónimo de Sousa, que valorizou a acção de dia 1 de Fevereiro e apelou à participação na jornada anunciada para Lisboa e Porto no próximo dia 27, ambas convocadas pela CGTP-IN.
Reforçar e lutar
Para além de Jerónimo de Sousa, intervieram nos comícios de Lisboa e Guimarães dirigentes regionais do Partido, que ali trouxeram a realidade económica e social dos respectivos distritos, a luta dos trabalhadores e das populações e as múltiplas e exigentes tarefas que estão colocadas aos comunistas.
Em Lisboa, Ricardo Costa, do Comité Central, garantiu que para combater a política das troikas e os seus promotores «precisamos de ter um Partido mais forte, mais interventivo em todos os planos». Entre as prioridades para fazer face a este objectivo, conta-se o reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho, o recrutamento, o contacto com os militantes tendo em vista a responsabilização de novos quadros e a estruturação de base, a difusão da imprensa partidária e a melhoria da situação financeira.
Na véspera, Sílvio Sousa, da Direcção da Organização Regional de Braga do PCP, tinha já salientado em Guimarães que «o que não é possível, o que não é viável, o que é antiquado, o que não é solução é prosseguir o caminho de destruição do aparelho produtivo nacional» que tem sido seguido por sucessivos governos, com consequências particularmente dramáticas no Vale do Ave.
Considerando esta região a capital não só da indústria têxtil como dos «baixos salários», Jerónimo de Sousa não deixou passar em claro a contradição existente entre a situação das empresas do sector, que surgem todos os dias na comunicação social a anunciar aumentos da produção e das exportações, ao mesmo tempo que se recusam a aumentar os salários, que na sua maioria rondam o mínimo nacional.
- Intervenção de Jerónimo de Sousa (excertos)
Travar o passo ao saque e à exploração